Oficina Ortopédica

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AMPUTAÇÕES

 

HISTÓRIA

n Indícios de amputações há 45 mil anos

n Automutilações em cerimônias religiosas há 36 mil anos

n A mais antiga referência escrita é em um antigo poema indiano entre 3500 e 1800 a.C.

n Historiador grego Heródotos em 424 a.C. registrou a história de Hegistrados (Persa)

n Deformidades congênitas, principalmente nos países árabes

n Traumáticas durante as batalhas, na captura de inimigos ou punições judiciais

n Técnicas da guilhotina com machado e sem anestesia

n Curativos com extratos de plantas como ópio, cânhamo, cicuta e álcool

n Fumo, mel e vinagre eram anti-sépticos

n Mais antiga descrição técnica de amputação é a de Hipócrates (460-377 a.C.) por meio das articulações  com guilhotinas sempre em tecido necrótico sem sensibilidade com cauterização feita com óleo ou ferro quente

n Celsus (25 a.C.- 50 d.C.) realizou amputações em planos mais proximais

n Anos Negros (sec. V e XV) pequenas evoluções científicas com o retorno das técnicas primitivas

n Ambroise Pare (1510-1590) reintroduziu o uso de ligaduras proposto por Celsus e Hipócrates

n Uso do torniquete 1593

n Anestesia por Morton em 1846 e anti-sepsia por Lister em 1867 mudou o panorama das amputações

n Com o surgimento das guerras o número de pessoas amputadas aumentou bruscamente. Técnicas cirúrgicas mais avançadas, novos dispositivos mecânicos e técnicas de protetização

n Primeira guerra mundial 300 mil amputados em toda Europa

n Segunda guerra mundial componentes pré fabricados com princípios biomecânicos mais funcionais

n Amputação é derivado do latim: podar/retirar ao redor de/em volta de

n Retirada, geralmente cirúrgica, total ou parcial de um membro

n Médicos concebiam tal ato como o fim de um processo mórbido, nunca desejado e sempre evitado

n Cirurgia pouco nobre

n A MUTILAÇÃO, O SER INVÁLIDO

n INÍCIO DE UMA NOVA FASE, SEM PATOLOGIAS OU DEFORMIDADES SÉRIAS

n Úlceras plantares infectadas, insuficiência vascular periférica, osteomielites crônicas, anomalias congênitas, tumores malignos, entre outros

n Qualidade de vida melhor, sem dor e sem sofrimento

 

n TRANSVERSAIS: ASSEMELHAM-SE  COM A VERDADEIRA AMPUTAÇÃO, HAVENDO AUSÊNCIA TOTAL OU PARCIAL DE FORMAÇÃO DE UM MEMBRO

n LONGITUDINAIS: RESTANTE DO MEMBRO MALFORMADO, GERALMENTE NÃO É FUNCIONAL, SENDO ENCAMINHADO ÀS VEZES PARA A AMPUTAÇÃO

n AMELIA: ausência completa de um membro

n PEROMELIA: ausência parcial

n FOCOMELIA: diminuição do membro mal formado

n Atualmente, experientes cirurgiões ortopédicos e vasculares dedicam-se às amputações para eliminar tecidos moles e ósseos irremediavelmente lesados e, em um segundo momento, reconstruir as partes ósseas, musculares e cutâneas, de modo que proporcionem ao coto capacidade adequada de sustentação e mobilidade

n Devem ter indicações eletivas, como no caso de doenças e malformações  ou indicações de urgência, como em traumas importantes e infecções graves

n Membro residual de amputação é denominado coto

n Um bom coto deve ser firme, sem aderências cicatriciais, contraturas articulares e neuromas

 

FATORES PARA UM BOM COTO

 

n MIOPLASTIA: é utilizada para fixar as extremidades de músculos antagônicos e também para proteger o coto ósseo distal

n MIODESE: reinserção dos músculos e tendões seccionados à extremidade óssea amputada, proporcionando poder de contração

n Coxim firme para o controle da prótese

n NEURECTOMIA: deve ser realizada com leve tração nervosa e corte brusco. O coto nervoso deve estar profundo

n TECIDOS ÓSSEOS: resecção das arestas e arredondamento das bordas

n SUTURAS: em planos e sem tensões exageradas para evitar aderências

n POSICIONAMENTO: correto para se evitar as retrações e encurtamentos musculares

 

AVALIAÇÃO

 

n TRAUMÁTICA, se foi imediata ou eletiva e como foi o acidente

n VASCULARES, questionar quanto tempo desde o diagnóstico da doença até a amputação

n NEOPLASIAS, metástases ou outras complicações

n TEMPO DE AMPUTAÇÃO

n MODO DE LOCOMOÇÃO

n VISÃO GLOBAL DO PACIENTE

n Aspecto físico, psicológico e social

n Condições tróficas e força muscular

n Compreensão

n Alteração sensorial, cardiorespiratória, vasculares periféricas, metabólicas

n Deformidades

n Forma do coto

n Condições da cicatriz

 

AVALIAÇÃO DO COTO

 

n PELE

n EDEMA

n CICATRIZAÇÃO

n COXIM TERMINAL

n TÔNUS, TROFISMO E FORÇA MUSCULAR

n DESCARGA DE PESO

n DEFORMIDADES

n MEMBRO FANTASMA

n DOR FANTASMA

n ESPÍCULAS ÓSSEAS

n NEUROMAS

n ENXERTOS CUTÂNEOS

n ANOMALIAS CONGÊNITAS

n COMPLICAÇÕES E INTERCORRÊNCIAS

 

n Reabilitar não significa necessariamente protetizá-lo

n Aos candidatos  à prótese a reabilitação só chegará ao fim no momento em que eles já estiverem fazendo o uso das próteses, com total controle e independência

 

REABILITAÇÃO

 

n Conseguir um bom grupo muscular

n Potencializar os grupos musculares debilitados

n Recuperar a função muscular prévia

n Impedir e eliminar contraturas

n Impedir deformidades secundárias

n Diminuir e eliminar estados dolorosos

n Modelar e maturar o coto

n Realizar treinamento de marcha

n Corrigir possíveis defeitos de marcha encontrados

 

 

PREPARAÇÃO PARA A PRÓTESE

 

Pós amputação

 

Ø  Colocação imediata de curativos rígidos

Ø  Curativos semi-rígidos (Pasta de UNNA): composto de óxido de zinco, gelatina, glicerina e calamina

 

Complicações

Ø  Deiscência de sutura

Ø  Edemas persistentes

Ø  Ulcerações no coto e inflamações

Ø  Retração cicatricial

Ø  Neuromas e espículas

Ø  Hipotonias

Ø  Contraturas musculares

Ø  Osteoporose e dor fantasma

 

Fase aguda

Ø  Evitar complicações cardiopulmonares

Ø  Reduzir dor e edema

Ø  Prevenir contraturas

Ø  Segundo DPO – ortostatismo

Ø  Terceiro DPO -  exercícios isométricos até a retirada dos pontos

 

Fase sub aguda e crônica

Ø  Exercícios isotônicos

Ø  Exercícios resistidos (membros e tronco)

Ø  Alongamento muscular

Ø  Exercícios de equilíbrio

Ø  Exercícios de coordenação

Ø  Preparação para a prótese

Ø  Treinamento de AVDs

Ø  Treino de marcha e equilíbrio

 

Bom coto

Ø  Indolor

Ø  Boa circulação local

Ø  Bom sistema de alavancas

Ø  Músculos inseridos terminalmente no osso

Ø  Boa cicatrização

 

Boa marcha

Ø  Capacidade de descarga de peso

Ø  Menor gasto energético

Ø  Segurança

Ø  Ótimo ajuste e alinhamento

 

Cuidados

Ø  Não deixar o coto flexionado

Ø  Não sentar com as pernas cruzadas

Ø  Não pendurar o coto na cama e na muleta

Ø  Não sentar com o coto flexionado

Ø  Não colocar travesseiro embaixo do coto

 

Membro e dor fantasma

Ø  Estimulação elétrica

Ø  Exercícios bilaterais

Ø  Massagem no coto

Ø  Enfaixamento

Ø  Calor

Ø  Hidroterapia

Ø  Percussão no coto

Ø  Descarga de peso

Ø  Crioterapia

Ø  Acupuntura

 

NÍVEIS DE AMPUTAÇÃO

 

DESARTICULAÇÃO INTERFALANGIANA

*      Não apresenta maiores problemas funcionais e estéticos

*      Traumáticos e vasculares

*      Hálux manter a base da falange proximal

DESARTICULAÇÃO METATARSOFALANGIANA

*      Causas as mesmas

*      Isoladas do segundo ao quinto não causam alterações significativas na marcha

*      Isolada do segundo e do terceiro provoca uma deformidade importante em hálux valgo

*      A do hálux dificulta a marcha na fase de impulso

AMPUTAÇÃO TRANSMETATARSIANA

*      Nos casos de processos infecciosos, pode-se optar pela incisão somente de um raio deixando o pé funcional, porém assimétrico

*      Coxim mais resistente com tecido plantar

AMPUTAÇÃO DE LISFRANC

*      Desarticulação dos metatarsos com os óssos cubóide e cuneiforme

*      Limita a descarga distal total

AMPUTAÇÃO DE CHOPART

*      É uma desarticulação realizada entre os ossos navicular e cubóide com o tálus e o calcâneo

AMPUTAÇÃO DE SYME

*      Patologias vasculares, traumas, anomalias congênitas, deformidades adquiridas ou quando as amputações transmetatarsianas, de Linsfranc ou de Choupart não são possíveis

*      Procedimento tecnicamente fácil

*      Apresentar um coto bastante longo e durável com possibilidade de descarga distal

*      Permitir uma reabilitação e protetização precoce

AMPUTAÇÃO DE PIROGOFF

*      Tecnicamente mais difícil e mais demorada

*      Artrodese entre a tíbia e o calcâneo

AMPUTAÇÃO TRANSTIBIAL

*      É dividida em 3 níveis:

*      Terço proximal

*      Terço médio

*      Terço distal

*      Patologias vasculares: velhos

*      Patologias traumáticas: jovens

DESARTICULAÇÃO DO JOELHO

*      Preconiza-se a preservação da patela

*      Cicatrização póstero inferior do coto

*      Boa alavanca de movimento

*      Bom controle sobre a prótese

*      Não apresenta desequilíbrios musculares

*      Descarga distal

*      Menor gasto energético

AMPUTAÇÃO TRANSFEMORAL

*      Entre joelho e quadril

*      Proximal, médio e distal

*      Deformidade em flexão e abdução do quadril

*      Nível proximal aceito é de pelo menos  8cm abaixo do trocanter menor do fêmur

*      Mais distal; mais alavanca e controle sobre a prótese

DESARTICULAÇÃO SACROILÍACA

*      Cirurgia radical, remoção da metade da pelve e de todo o membro inferior

*      Relacionadas a neoplasias ósseas com invasão para região pélvica

 

PRÓTESES DE MEMBRO INFERIOR

n  Próteses são utensílios empregados para substituir alguma região perdida ou malformada do nosso organismo

n  Dentárias, mamárias de membros

n  Próteses exoesqueléticas

n  Próteses endoesqueléticas

 

EXOESQUELÉTICAS

n  Convencionais

n  Confeccionadas com componentes de madeira ou plástico fazendo conexões entre encaixe e pé.

n  Suas paredes proporcionam além da sustentação, o acabamento estético.

n  Com componentes plásticos são geralmente utilizadas para confecção de próteses de banho e geriátricas.

n  Podem ser utilizadas para todos os tipos de amputações.

n  São confeccionadas com componentes maciços em madeira ou espuma rígida, os quais são colados de acordo com o alinhamento definido. Para efetuar modificações no alinhamento, as peças devem ser destacadas, realinhadas e novamente coladas.

n  O acabamento é realizado desbastando as paredes externas.

n  Recebe uma laminação em resina acrílica e fibra de carbono para melhor acabamento e resistência.

n  A parte interna é lixada.

VANTAGENS

n  Resistência

n  Durabilidade

n  Pouca manutenção

DESVANTAGENS

n  Estética menos agradável

n  Menos opções de componentes

n  Dificuldades para realinhamento

n  Impossibilidade de intercâmbio rápido de componentes

ENDOESQUELÉTICAS

n  Modulares

n  Conexão entre encaixe e pé protético é realizado por meio de tubos e componentes modulares, e o acabamento final com espuma e meia cosmética

n  Pode se substituído por encaixes coloridos 

n  Pode ser utilizado para qualquer tipo de amputação, exceto parciais de pé e de tornozelo

n  Modelos monocêntricos com trava, até os policêntricos com unidades hidráulicas e pneumáticas

n  Materiais podem ser em aço, titânio e alumínio

n  Os ajustes e correções de alinhamento mediante adaptadores com quatro parafusos

n  Ajustes nos planos sagital, frontal, horizontal e movimentos de translação

n  Possível executar troca rápida de componentes

n  Superiores sob o ponto de vista funcional e cosmético

COMPONENTES PROTÉTICOS

n  Encaixes

n  Articulações

n  Tubos de conexão

n  Pés

ENCAIXES

n  Encaixes

n  Articulações

n  Tubos de conexão

n  Pés

JOELHOS

n  Tem como função proporcionar estabilidade na fase de apoio e controle na fase de balanço durante a marcha

PÉS MECÂNICOS

n  Conexão de pés às próteses exoesqueléticas é por meio de tornozelo de madeira

n  Endoesqueléticas é por meio de adaptadores